Os semeadores felizes

Quantas sementes você já plantou com amor, e não deram fruto! Muitas vezes investimos a melhor semente, mesmo na vida de quem deveria tê-la plantado e cultivado em nossa vida

Quantas sementes você já plantou com amor, e não deram fruto! Muitas vezes investimos a melhor semente, mesmo na vida de quem deveria tê-la plantado e cultivado em nossa vida - mas simplesmente não dão fruto. É tão duro plantar o que se tem de melhor e depois ficar ali, esperando, esperando, enquanto os anos passam! Chega então um dia em que a gente se dá conta que aquela preciosa semente, plantada com tanta dedicação e tanto sacrifício calado, foi esquecida, não frutificou. Você ficou no sol para plantá-la e regá-la, mas depois ela não brotou e não lhe deu sombra! Lembranças lhe assaltam, de pessoas que amou, acompanhou, instruiu, aconselhou, se sacrificou, e que simplesmente se afastaram e lhe deram as costas. Das pessoas por cujos sonhos lutou, e com quem você chorou de alegria no dia em que elas se alegraram. Mas, de repente, a porta foi batida secamente com você do lado de fora, depois veio a frieza e hoje só resta o grande muro cinza da indiferença. O campo semeado nunca esteve tão árido. Quando você amou mais inteiramente na vida, foi desacreditado, e zombaram do amor que declarou. No entanto, aqui chorando na presença de Deus, o Espírito Santo fala comigo. Ele me faz lembrar de José naquela cadeia úmida e quente. José dera o melhor de si para seu pai, para seus irmãos, para seu chefe, para o carcereiro, para o copeiro – e o que ele ganhou? José via o tempo passar, ouvindo os sons da rua, as crianças correndo, enquanto ele continuava lá, jogando sementes sem ver frutos. E o que pensar de Elias na caverna? Ele deu suas melhores sementes para aquela nação, e todos viram descer fogo do céu, e depois chuva por sua oração – mas quando ameaçado, ninguém foi por ele, ninguém se dispôs a defendê-lo. Não teve ninguém para ajudar Elias, ninguém que o entendesse de verdade. Ninguém era capaz de amá-lo com o mesmo amor com que ele havia amado. Em seguida observo Paulo. Suas algemas e cicatrizes, e Demas, seu fiel companheiro de outrora, agora lhe dando as costas e se afastando da cela para nunca mais voltar, indo amar o presente século. E então, subitamente, vejo Maria aos pés da cruz. Olha o que fizeram com a melhor semente da Maria! Olha que crueldade! Por isso ela chorava, e nós também. E então, o Espírito Santo começa a me falar de Cristo Jesus. Nosso Senhor que doou suas melhores sementes, e acabou sendo negado por Pedro. Pare para pensar! Ele semeou beijos de amor na face de Judas, e colheu um beijo de traição, e bofetadas e cuspidas em sua face. Ele semeou abraços e colheu chicotadas cruéis. Semeou a vida e colheu a morte. Eu estou aqui chorando, meus irmãos, porque ele semeou a vida e colheu a tortura e o assassinato! Ele semeou o importar-se com os outros, e colheu Pilatos lavando as mãos em covardia. O Senhor semeou ensinar e esclarecer as coisas, e colheu ignorância sem medida. Semeou aceitar a todos, e colheu ser rejeitado e odiado. Semeou tocar e curar os outros, e colheu aquela lança perfurando seu corpo indefeso. Mas pior de tudo: ele semeou obediência total à vontade de Deus, e colheu o desamparo de seu Pai amado, naquelas tenebrosas horas de expiação. Eu ainda não sei por que estou falando tudo isso. Mas saber que os santos homens do passado também sofreram e choraram por tudo isso que hoje nos machuca, me enche de consolação. Acima de tudo, saber que nosso Deus já sentiu tudo que sentimos, e estarmos trilhando um caminho que lhe é bem conhecido, enche-me de paz. Porque Tu sabes, Senhor, o que sinto. Tu sabes, Senhor, que às vezes não sei direito o que estou sentindo! Mas tu sabes, Senhor, tu sabes melhor que eu mesmo! E me dizes que a semente do amor não se mede pelo fruto que vemos, mas pelo fato de que só os bem-aventurados a levam abundantemente em seu alforje! O verdadeiro sucesso do amor não está na reação que ele provoca, mas no próprio ato de amarmos. Temos amado com todas as nossas forças, é verdade, e não fomos tão amados. Demos o melhor, mas ninguém se importou, e os resultados foram frustrantes - somente porque não entendemos que o sucesso do amor está em tê-lo para dar, e dar, e dar mais uma vez, e depois de tudo ainda tê-lo para dar mais um pouquinho. O genuíno sucesso do amor está em José chorar de alegria, abraçado com os irmãos que o odiaram e nunca o entenderam. O sucesso do amor está em Elias voltar pelo mesmo duro e solitário caminho pelo qual viera, a fim de abençoar um pouco mais. Está em Davi chorar a morte não apenas de seu amigo Jônatas, mas também a de Saul (seu malfeitor). Está em Paulo se ver sozinho no tribunal hostil, e nessa hora enxergar a coroa de glória que lhe está reservada - e continuar amando pessoas. O sucesso do amor está em Cristo pedir que o Pai perdoe seus assassinos, e cuidar de sua mãe até a última hora. Sim, irmãos de glória, o sucesso do amor, o verdadeiro sucesso do amor, está em nosso Senhor ressuscitado ir para a Galileia, a fim de abraçar a Pedro - mais uma vez, mais um pouquinho! Ó bendita semente do amor divino! Felizes são os teus semeadores, mesmo quando vão chorando ao longo do íngreme e árido caminho! Pois essa santa semente, independente do solo que a recebe, é a única que produz fruto no coração do que a semeia, no mesmo instante em que é lançada! Vale a pena semear mais um pouco, mesmo com dores, para descobrir um dia que este nosso pobre coração foi feito doce fruto para o Senhor da glória!


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